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quarta-feira, 25 de março de 2020

MÃO DO DESERTO - Atacama.

Após pernoitarmos em San Pedro de Atacama¹, partimos pela manhã bem cedo com destino incerto, porém a direção seria para o sul chileno, o mais que o dia de viagem permitisse. Pela Ruta 23 seguimos até Calama que fica aproximadamente 100 Km de San Pedro, esta, cidade média com um importante aeroporto, passamos rápido pelo seu contorno. Seguimos por mais uns quilômetros pela Ruta 25 até chegarmos a chamada Rodovia Pan-americana (Ruta 5). 

A única certeza é que estávamos no incrível Deserto do Atacama, segundo consta com seus mais de 1000 quilômetros de extensão e com seus domínios passando das fronteiras chilenas com Argentina, Bolívia e Peru é classificado como o mais alto e o mais árido do planeta. Nele há poucas cidades e vilarejos por conta de suas condições extremas, as temperaturas variam de 40º durante o dia a negativas durante a noite.  

Um grande desenho feito na areia, chama atenção na estrada.

O Deserto nos impressiona, a estrada é excelente, a aridez, a vastidão e o isolamento chegam a ser impactante, desconcertante e curioso para quem não está acostumado, mas tudo isso faz parte do Deserto.

Vejo no mapa e posteriormente em uma placa na estrada, a entrada para cidade de Antofagasta, optamos por não chegar e avançar um pouco mais, pois precisávamos ganhar distância.
Seguimos em frente e a aproximadamente 75 quilômetros ao sul reconheço de longe a "Mão" o monumento que a muito me fascinava, já havia visto muitas fotos de viajantes aventureiros com suas motos, carros, em fim, era uma referência no Deserto, era a marca do Deserto! 

A Mão do Deserto!

O monumento fica próximo a rodovia, avistável dela, uma estrada a direita marcada pelo vai e vem leva até "a Mão". Fazia bastante frio, o vento soprava forte, sequer dessemos os cães (2 dachshunds), o clima do Deserto se fez bem marcante, estar nesse lugar é marcante. Em momento algum há dúvida de onde estamos, porém é novo estar nesse ambiente de poucas cores.

O vento soprava forte na "Mão do Deserto".

O imponente monumento de 11 metros de altura está a uma altitude de 1.100 m.s.n.m. Estávamos sozinhos, isso me permitiu buscar o melhor ângulo para tão sonhada foto, também vagarosamente caminhava em sua volta admirando seus detalhes e traços. Ele (enquanto monumento) transcende a curiosidade, paradoxalmente parece algo sagrado sem envolver religiosidade, ele define o local, trás identidade, mais uma vez repito é uma referência, porém é de livre interpretação e reflexão, cada um enxergará a sua própria mensagem, a sua particular definição.

A "Mão do Deserto" - Deserto do Atacama / Chile.

A "Mão do Deserto" foi construída em concreto reforçado em aço pelo escultor chileno Mário Irarrazábal e foi inaugurada no ano de 1992, em um período político delicado, pós ditadura militar chilena que durou 16 anos e teve seu fim em 1990.

A Mão do Deserto de Mário Irarrazábal.

Anterior a "Mão do Deserto" duas outras obras similares foram feitas pelo escultor. A primeira e mais famosa foi construída em apenas 6 dias para ser eternizada na "Playa Brava" em Punta del Este / Uruguay² no "Primer encuentro internacional de escultura moderna al aire libre de Punta del Este" em 1982. Posteriormente em 1987 realizou outra obra com a mesma temática em Madri / Espanha, só então em 1992 deu forma a "Mão do Deserto" no Deserto do Atacama /Chile. Por fim em 1995 finalizou em Veneza / Itália a última obra em formato de mão dessa incrível série distribuída pelo mundo, não todas iguais, cada uma trás o seu formato e sua caracterização, porém todas com a assinatura de Mário Irarrazábal³

Mão do Deserto - Deserto do Atacama / Chile.

Após essa visita incrível, voltamos a rodovia e seguimos nossa viagem, somente no fim da tarde saberíamos nosso destino, a pequena cidade costeira de pouco mais de 13.500 habitantes chamada Chañaral. Antes passaríamos por intermináveis retas, grupos de motociclistas, ciclistas solitários, centenas de homenagem aos mortos em torno da rodovia (cultural)¹¹, algumas tempestades de areia de sentir o gosto da terra mesmo dentro do carro fechado e a imperativa amplidão do Deserto.

Deserto do Atacama - Chile.

Esse foi apenas nosso 5º dia no total de 11 de nossa Expedição Atacama. No Deserto foram 3 dias de muita aventura, conhecimento, reflexão e experiências transformadoras em nossas vidas. Não planejamos muito, apenas nos jogamos. Foi uma das questões que trabalhei nessa viagem, necessário para tantas outras...

"UM HOMEM PRECISA VIAJAR, POR SUA CONTA, NÃO POR MEIO DE HISTÓRIAS, IMAGENS, LIVROS E TEVÊS, PRECISA VIAJAR, POR SI, COM OLHOS E PÉS, PARA ENTENDER O QUE É SEU." (Amyr Klink)


A MÃO DO DESERTO - SUBJETIVA DA ALMA !!!!!!!!!!!!!!!!!



COORDENADAS GOOGLE EARTH: 24º09'30.62" S - 70º09'23.12" O.


TEXTO: Valfredo Neves.


FOTOS: Valfredo Neves.


VEJA AINDA:
San Pedro de Atacama¹: 

"Playa Brava" em Punta del Este / Uruguay²:

Mário Irarrazábal³:

Homenagem aos mortos em torno da rodovia (cultural)¹¹:



sábado, 16 de fevereiro de 2019

SAN PEDRO DE ATACAMA - Chile.

Não espere encontrar nessa postagem grandes dicas sobre San Pedro, falaremos sobre a experiência e o olhar que tivemos em nossa breve passagem pelo lugar.

Ainda estamos em nosso quarto dia de viagem, visitamos alguns lugares, mas nossa expedição familiar ganhou algum sentido e valor a partir de Purmamarca¹. Agora chegamos a Jama, esperava uma cidade média, porém encontramos apenas algumas casas e um posto de combustível no isolado vilarejo, a referência nos mapas se dá por conta do Passo Fronteiriço. Os funcionários da migração, atenciosos e educados equilibram na mesma proporção a seriedade e a firmeza que a função requer. Demorou um pouco, pois estávamos com dois cães daschunds (o Lino e a Bela), revistaram o carro e as bagagens, alimentos de origem animal e vegetal são proibidos e confiscados.

De Jama a San Pedro são mais 160 Km, um guarda me aconselha: "Em aproximadamente 50 Km haverá um semáforo em seguida de um cotovelo na pista (curva fechada), se nesse ponto haver neve na pista volte, pois não conseguirá passar". Ao chegarmos nesse ponto não havia neve, mas nas laterais da pista muita água congelada, foi o momento mais frio de toda viagem, quiça de nossas vidas. Antes de chegar a San Pedro uma longa descida, são intermináveis quilômetros, com pontos laterais de escape para veículos que venham a ficar sem freios. O Vulcão Licancabur com seu pico nevado e seus 5.950 de altitude nos dá as boas vindas, passamos ao lado, me animo um pouco, estamos chegando...

É quase noite, precisamos nos apressar, estamos exaustos e com muita fome, pois não almoçamos para poder vencer o trajeto. A cidade empoeirada com suas ruas estreitas de terra é um oásis no meio do deserto, as opções de hospedagem são tantas que ficamos confuso, no principio a prioridade era o preço, porém um entrave maior a certa altura se tornou preocupante, estávamos com dois Pets e ninguém parecia aceitar. Foram inúmeras tentativas frustradas, um desgaste enorme e a noite, com todo atraso para nos beneficiar, enfim chegou.

Consigo estacionar o carro próximo a uma rua bem movimentada (Calle Caracoles) e saio para procurar comida, informações prévias me diziam haver casas de câmbio abertas nessa parte da cidade, pois havia percebido certa resistência em receberem Dólares e senti que teria que conseguir a moeda local. Facilmente encontrei um câmbio, em uma casa normal, a moça me atendeu vestindo bermudas e chinelos, bem atenciosa e muito justa nas cotações, aceitou Dólares e também Reais (estes incrivelmente sem muita desvalorização como preconceituosamente achei que haveria pela distância com o Brasil) em troca de Pesos Chilenos.

Local onde estacionamos na noite anterior para comprar comida.

Segui andando pela rua movimentada, parecia estar seguindo em direção a Torre de Babel, pois muitos idiomas eram falados simultaneamente, por transeuntes que iam e vinham na rua estreita de terra. Nessa rua haviam lojas de artesanato, bares e muitas agências de turismo que ofereciam os mais variados pacotes de passeios. Achei um restaurante lotado e no fundo um bufê onde serviam comida para levar, comprei bastante, um problema estava solucionado, mas ainda precisávamos de um lugar para descansar e voltamos a procura...

Pequena pracinha onde estacionamos na noite anterior para comprar comida.

Enfim um coração nobre se sensibilizou e nos hospedou, porém somente por uma noite, pois também não aceitavam Pets e no outro dia estariam lotados devido as reservas. Por isso não ficamos muito tempo em San Pedro, devido a dificuldade de se hospedar com Pets, também foi um momento tenso da viagem, pois a mais de 2.000 Km de casa, com quatro moedas no bolso (Real, Dólar, Peso Argentino, Peso Chileno), me senti desconfortável com a imprecisão das finanças e de tudo o que tínhamos que percorrer.

Hostal Turic Kafur.

Há muito o que fazer em San Pedro, talvez em 15 dias você saia satisfeito, menos que isso, sempre ressurgirá o sentimento de "quero mais", ou ainda "fui lá e não vi isso, aquilo e aquele outro", é um polo mundial importante do ponto de vista aventureiro, histórico, cultural. 

Em San Pedro é possível se aventurar em lagoas, termas, salares, montanhas, vulcões, vales, quebradas, sítios arqueológicos, turismo astronômico e muitas outros passeios e atividades. Gostaria de voltar e viver tudo isso em um outro momento... Por hora, chegar a esse lugar já me satisfez, estar nesse lugar já se tornou recompensador.

Hostal Turic Kafur - San Pedro de Atacama / Chile.

Acordamos bem sedo e decidimos por partir, a viagem era longa, teríamos que atravessar o deserto e tudo era novo, o senário, a ausência do verde e todas as surpresas e experiências que iriamos vivenciar para frente. Após um delicioso café da manhã saímos com a vista para o Licancabur (na foto encoberto pelas nuvens), voltamos ao centro e compramos mais pesos chilenos.

 Há um contraste entre as vans turísticas que partem para os passeios antes do nascer do sol, com o comércio que abre tarde, a cidade ainda dormia quando partimos. Antes de pegar a estrada em definitivo, resolvemos visitar o Valle de la Luna, tentativa frustrada por uma placa na entrada do parque com a inscrição "Proibido Mascotas". É não demos muita sorte dessa vez, senti que não há preparo para receber esse tipo de público, ou seja, quem viaja com seus animais de estimação...

Ruta del Desierto - Valle de la Luna.

Mas em fim, entramos no deserto e precisamos prosseguir. Iremos percorrer a Ruta del Desierto, passando primeiramente pela Cordillera de la Sal.

Deserto do Atacama - Chile.

A Cordillera de la Sal tem sua origem a 23 milhões de anos, produto do dobramento de camadas horizontais de sedimento e rocha, as quais foram empurradas pelos movimentos da crosta terrestre que levantaram a Cordilheira dos Andes. Dotada de colorido peculiar e esculpida pela erosão eólica e fluvial, sua morfologia a converte em um atrativo inigualável, ao possuir fantásticos brilhos minerais, gerados pelos morros de argila, gesso e sal.

Cordillera de la Sal.


Cordillera de la Sal - Ruta del Desierto - Chile.

Então seguimos viagem, ainda muito ansiosos com todas indefinições que uma expedição apresenta, sentindo que em certas etapas o peso da responsabilidade pesam nos ombros, mas até aqui tudo transcorrendo dentro da normalidade, nosso próximo destino Chañaral, passando por Calama e Antofagasta, atravessando todo o deserto do Atacama até o Oceano Pacífico.

Segue...


SAN PEDRO DE ATACAMA - UM OÁSIS ENVOLVIDO POR MUITA AVENTURA, HISTÓRIA, CULTURA, NA BELEZA DO DESERTO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


TEXTO: Valfredo Neves.
Em laranja: Fonte - Impresso - IN San Pedro de Atacama.



FOTOS: Valfredo Neves.



DICA: Baixe o APP  "IN San Pedro de Atacama" no Playstore  e tenha todas as dicas de hospedagens e passeios. 




VEJA MAIS:




POSTAGENS ANTERIORES DA EXPEDIÇÃO ATACAMA:






sábado, 17 de novembro de 2018

JUJUY - Argentina.

Gostaria que esta fosse uma postagem completa sobre os atrativos naturais da província de Jujuy no norte argentino, no entanto ela é muito pontual sobre os lugares por onde passamos. Nosso destino San Pedro de Atacama no Chile, nosso primeiro objetivo, passar a fronteira em Paso de Jama.

Um breve resumo nos conta que saímos da cidade de Santana do Livramento (RS / BR) de carro com dois cães daschunds, entramos na Argentina por São Borja / Santo Tomé e nosso primeiro pernoite foi em Posadas (Misiones AR), em nosso segundo dia dormimos em Pampa del Infierno¹ (Chaco AR) e o terceiro em Salta², capital da província de mesmo nome.

Em nosso quarto dia, bem cedo da manhã estávamos na estrada, nossa primeira perna seria até a capital provincial San Salvador de Jujuy, a qual passamos por fora, desse ponto em diante a proximidade com as montanhas começava a dar um ar diferenciado à viagem... Nenhuma muito expressiva, mas surgia em mim uma vontade surreal de subir todas elas.

Partindo de Salta há outros caminhos alternativos para San Pedro de Atacama que passam por San Antonio de los Cobres por exemplo, porém esse escolhido por nós, tínhamos a certeza de que era todo asfaltado.

Fomos parados em uma barreira da Gendarmeria Nacional em Purmamarca, o policial admirado com nossos cães (2 daschunds) nos orientou que estávamos longe de Jama (Purmamarca - Jama = 257 Km) e que a fronteira fecharia as 18:30, nesse sentido não poderíamos perder muito tempo no caminho. Assim cometemos um grande erro, o qual me arrependo até hoje, não entramos em Purmamarca. A pacata cidade com casas feitas de adobe e suas ruas estreitas de terra lembram muito daquelas cidades mexicanas dos filmes de faroeste. Ali também está o Cerro de los Sete Colores, uma das mais belas atrações da província. Olhando fotos de outros viajantes, minha consciência nunca alivia a cobrança de não termos gastos alguns minutos ali.

Purmamarca - Jujuy /Argentina.


Paisagens de Purmamarca /AR.

Ao virarmos a esquerda em Purmamarca entramos na RN (Ruta Nacional) 52 e atravessamos um portal fictício onde tudo se transformou, se pudéssemos, teríamos começado a viagem daqui, não desprezando os lugares por onde passamos, mas era a partir desse ponto que encontraríamos o que viemos buscar. Paisagens que não faziam parte de nosso cotidiano e que a muito acompanhava em relatos de viajantes, nos arrancavam suspiros a todo instante... O novo, o inédito, nos acompanhariam por longos trechos e se somariam a outros adjetivos e sentimentos na longa jornada.   

Purmamarca- Província de Jujuy / Argentina.

Não entramos na cidade, porém me lembrei de uma dica que li em um relato de viagem onde era mencionado, "tire foto nos cactos gigantes, você pode não ter outra oportunidade", o que é fato, não lembro de ter visto outros durante a viagem, pelo menos não tantos e nem tão perto da estrada. Não desperdice esse momento.

Cactos gigantes em Purmamarca.


Lembra muito as paisagens dos filmes de faroeste.

Seguimos viajem, agora pela incrível Cuesta del Lípan, sem dúvida uma das mais belas estradas do mundo. Ela serpenteia as montanhas para ganhar altitude, os seus 17 Km requerem atenção e paciência, principalmente nas curvas, caminhões por vezes ocupam as duas pistas ao contornarem os cotovelos (curvas acentuadas), tenha cuidado, ande lentamente e aprecie a vista maravilhosa. A estrada sai de Purmamarca em 2.192 metros de altitude (m.s.n.m.) e seu ponto mais alto chega até 4.170 onde é possível estacionar e tirar fotos da estrada...

Nesse local, o qual conhecemos como Altos del Morado, pois nas placas antigas traziam essa informação, há um marco com a altitude, nesse ponto é quase que obrigatório a foto pelos viajantes.
Na maioria das postagens que visualizei faziam referência a esse lugar como Abra de Potrerillos, porém até nos artesanatos que compramos no local traziam a inscrição "Altos del  Morado 4.170 m.s.n.m."

Altos del Morado 4.170 m.s.n.m.

Nesse ponto também haviam dois artesãos fazendo e vendendo seus trabalhos, abrigados do vento em verdadeiras fortificações de pedras. As peças esculpidas em pedras são fantásticas e muito baratas, compre bastante, você não verá mais dessas durante a viagem.

Esse foi o ponto de maior altitude de nossa viagem, seus sintomas maléficos não se fizeram presentes, porém ventava muito, muitas lhamas também eram curiosidade para os que ali passavam.

Altos del Morado 4.170 m.s.n.m.

Depois de chegarmos no ponto mais alto, agora descemos um pouco, ao longe se avista uma imensidão branca, especulo ser um salar, mas não tenho certeza, as coisas se apresentam todas como surpresas, pois não pesquisei muito antes deixando o caminho nos revelar as belezas da viagem.

De fato era, porém não era um qualquer, se tratava do segundo maior salar do mundo, estamos em Salinas Grandes à 3.450 m.s.n.m. (altitude), com seus aproximados 8.900 Km². 

Salinas Grandes - Jujuy / Argentina.

A estrada corta o salar, passamos o primeiro parador que há uma estrutura tipo uma pequena casa, bancos e variadas esculturas de sal, muito movimentada. Então avistamos outra parada mais na frente, com menos estrutura, porém com banheiros e bem menos pessoas, também haviam algumas esculturas de sal e a bandeira da Argentina.

Em Salinas Grandes o segundo maior salar do planeta.


Salinas Grandes - Jujuy / Argentina.

Salinas Grandes fica a 66 Km de Purmamarca e como não poderia deixar de ser é o salar mais famoso da Argentina. Seus limites ocupam o espaço em duas províncias Salta e Jujuy, sua origem data entre 5 a 10 milhões de anos, sua espessura de sal vai de 10 a 50 cm. Dizem que na época das chuvas, o acúmulo de água na planície salgada forma um grande espelho azul-turquesa de beleza sem igual.

Esculturas de sal em Salinas Grandes Jujuy / AR.


Salinas Grandes - Argentina.

Após ter visto e vivido esses momentos em lugares tão especiais e marcantes pensei ser justo colocar nossos nomes na lista dos grandes aventureiros, na falta desse, nosso adesivo sempre que possível se juntava a de outros tantos grupos, expedições e viajantes solitários nos mais variados lugares do caminho. De Salinas Grandes para Paso de Jama são mais 190 Km, então é preciso se apressar, não antes de passar o dedo no chão e provar para ver se é sal mesmo!!!!!!!!!!!!!!!



JUJUY - LIDO, OUVIDO E AGORA VIVIDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



TEXTO: Valfredo Neves.


FOTOS: Valfredo Neves.


OS 3 MAIORES SALARES DO PLANETA E SEUS Km² APROXIMADOS:
  • 1º UYUNI - Bolivia (12.000 Km²).
  • 2º SALINAS GRANDES - Argentina (8.900 Km²).
  • 3º ETOSHA - Namibia (6.130 Km²).

VEJA ONDE PASSAMOS ANTES:
¹ Pampa del Infierno: 

² Salta:







sábado, 8 de julho de 2017

CERRO SAN BERNARDO - Salta AR.

Quando chegamos a Salta no noroeste argentino, já estávamos eufóricos pela proximidade das montanhas, já avistávamos de longe, um imenso paredão que emoldurava a cidade. Chegamos por cima com a vista da cidade lá em baixo, na verdade se tratava de um aperitivo, iríamos vê-la mais de cima ainda.

Ao sermos "engolidos" pelo centro urbano, fiquei impressionado quando passamos pelo teleférico que parte do Parque "San Martín" e vai até o Cerro San Bernardo e vice-versa. Já tinham nos informado no Centro de Informações Turísticas na entrada da cidade que era possível subir de carro no cerro, o que adiamos para o outro dia. Durante nossas andanças por Salta os olhares sempre que possível tinham o endereço do "San Bernardo" e do seu vizinho "20 de Febrero" com seu aglomerado de antenas.

Na entrada de Salta um aperitivo da vista...

No outro dia pela manhã quando estávamos de partida, pois tínhamos como destino o Chile, passamos no Monumento do General Güemes¹ para tirar algumas fotos e logo depois, seguindo as orientações turísticas, fomos em busca da estrada que leva ao topo do Cerro San Bernardo.

Há três maneiras convencionais de subir o Cerro San Bernardo, que são:
  • Via pavimentada, a qual serve também para o Cerro "20 de Febrero".
  • Via Teleférico, que parte desde o Parque "San Martín".
  • Por uma escadaria com aproximadamente 1.020 degraus, que começa no Museu de Antropologia, atrás do Monumento Güemes¹. No caminho das escadas existem 14 estações dedicadas à "Via Crucis", a qual se realiza no primeiro domingo de maio, todos os anos.

Cume do Cerro San Bernardo - Salta.

Não tivemos dificuldade em encontrar o caminho asfaltado que leva ao topo, mas é preciso subir lentamente e com atenção, pois há muitas curvas bem fechadas. Esse caminho foi inaugurado em 1974, possui 3.796m de extensão por 6m de largura. Fomos pela manhã bem cedo e pessoas já faziam atividade física no caminho, algumas subiam caminhando e muitas correndo vencendo o desnível, cascatas artificiais e o verde da reserva embelezam o caminho. Lá em cima há estacionamento, mas não são muitas vagas, as bancas de artesanatos estavam se organizando para abrir, também havia um café, porém ainda fechado por conta do horário.

Espaço Público do Cerro San Bernardo - Salta / Argentina.


Relógio de Sol no Cerro San Bernardo - Salta.

A cidade ainda acordava quando chegamos lá em cima, passeamos despreocupados e aproveitamos a vista que nos impressionou mais ainda e não tem hora marcada, sempre estará disponível. Porém, não com a mesma assiduidade será a mesma, há vários ângulos, várias condições climáticas, diurna, noturna, ou ainda com um pôr do sol surpreendente. Mas de qualquer das formas, incrível!

Cerro San Bernardo - Salta.


Salta - Cerro San Bernardo.

O Cerro San Bernardo junto ao seu vizinho Cerro "20 de Febrero" que fica no seu lado norte, fazem parte da Cordilheira Oriental e foram declarados Reserva Natural Municipal em 4 de junho de 1991 pela lei nº 6.134 (Reserva Natural Urbana). O San Bernardo também conta com alguns atrativos como a Cruz, inaugurada em 1º de janeiro de 1901 e o Cristo que pesa duas toneladas, inaugurado em 1903.

Cerro San Bernardo.

O teleférico sem dúvida é a principal diversão, mas infelizmente não podemos andar, pois abriria mais tarde do que poderíamos esperar. O horário de funcionamento é diariamente das 10:00 às 18:00, inclusive domingos e feriados.

Teleférico no Cerro San Bernardo - Salta.

Da estação no Parque San Martín até a estação do Cerro San Bernardo o percurso é de 1.016 metros, nessa distância 9 torres tubulares metálicas o sustentam, sendo a torre mais alta com 32,60m e a menor com 4,60m.

Estação do Cerro San Bernardo.

A diferença em altura entre estações é de 284 metros. O tempo estimado para percorrer os 1.016m é de aproximadamente 10 minutos, a uma velocidade de 2 m/seg. São 20 carrinhos capazes de transportar 300 pessoas por hora.

Teleférico em Salta / Argentina.

O teleférico começou a ser construído em 1987 e o seu funcionamento começou em dezembro de 1988. Os passeios são cobrados ida e volta, ou separadamente ascenso ou descenso, crianças (6 a 12 anos) pagam um valor reduzido e menores de 5 anos não pagam.

Teleférico San Bernardo - Salta / AR.

A altitude do Cerro San Bernardo (em relação ao nível do mar) é de 1.454, a cidade de Salta está a 1.187, por isso o cerro em relação a cidade tem 284 metros de altura, a mesma medida entre as estações do teleférico. O vizinho Cerro "20 de Febrero" possui 1.440 metros de altitude.

Salta - Capital da Província de Salta / Argentina.

O Cerro San Bernardo há milhões de anos esteve submergido no mar. Ele se formou no mesmo movimento sísmico que formaram a Cordilheira dos Andes na era Paleozoica. Nas rochas e encostas é possível encontrar fósseis marinhos, tais como os "trilobites".

As montanhas emolduram a cidade de Salta.

Salta atendeu nossa expectativa quanto cidade, muito bem planejada, nos deu impressão de ter uma excelente qualidade de vida. Turisticamente sedutora, histórica e cheia de opções "Eco", trilhas, parques, rios, cerros e montanhas, lamentável ter ficado tão pouco, haviam mais coisas para ver e fazer. 

Salta - Argentina.

Foi frustrante ter conhecimento das escadarias que sobem o Cerro San Bernardo somente em casa, após toda a jornada. Não posso garantir voltar algum dia, pois são muitos os lugares que desejamos conhecer, assim como outrora desejamos Salta. Mas uma coisa podemos afirmar... Estivemos lá, e foi incrível!


CERRO SAN BERNARDO - A VISTA DE VÁRIOS ÂNGULOS, VÁRIAS INTERPRETAÇÕES, OS PENSAMENTOS, O TELEFÉRICO, SALTA !!!!!!!!!!!!!!!!!!



COORDENADAS GOOGLE EARTH: 24º47'21.25"S - 65º23'32.50"O.



TEXTO: Valfredo Neves.
Fonte: Wikipedia, TeleféricoSanBernardo.com.



FOTOS: Valfredo Neves.


¹VEJA NOSSA VISITA AO MONUMENTO GENERAL GÜEMES EM:


VEJA MAIS EM:






sexta-feira, 2 de junho de 2017

JURAMENTO - Salta AR.

Aqui nasceu a bandeira argentina.

Quando nos dirigíamos a Salta, capital da província de mesmo nome na Argentina em nossa Expedição ao Deserto do Atacama, passamos por um lugar de grande importância histórica. Me chamou a atenção um grande pórtico a margem direita da auto pista que leva a Salta. nele a inscrição "AQUÍ NACIÓ LA BANDERA ARGENTINA 13 de febrero de 1813".

Aquí nació la bandera argentina 1813.

A 1 Km as margens do rio Pasaje (Juramento) o exército patriota a comando do General Manuel Belgrano jurou em 13 de fevereiro de 1813 fidelidade a Assembléia Geral Constituinte.

Placa comemorativa ao Bicentenário do Juramento.

Neste dia 13/02/1813 o General Belgrano içou uma bandeira com listas horizontais azul-branca-azul, as margens do Rio Pasaje. A partir desse dia o exército do norte começa a usá-la como bandeira das Províncias Unidas. Com isso a bandeira espanhola já havia desaparecida do forte de Buenos Aires.

Monumento ao General Belgrano - Província de Salta / Argentina.


Monumento ao General Belgrano - Juramento - Salta / AR.

Após esse ato solene a bandeira de cores horizontais azul-branco-azul figurou em frente as tropas do exército do norte na batalha de 20 de fevereiro de 1813 e pouco a pouco em todas as Província Unidas.

Monumento ao General Manuel Belgrano.


Juramento - Salta / AR.

Como disse é um local de grande importância histórica, respeitosamente nos retiramos deixando o local como o encontramos, o silêncio era imperativo, caminhos levam em direção ao rio para direita e também seguia mais a frente, voltamos pelo acesso e fechamos o belo portão de madeira no pórtico.


JURAMENTO - AQUI NASCEU A BANDEIRA ARGENTINA!!!!!!!!!!


TEXTO: Valfredo Neves.
Fonte: Luis Borelli - El Tribuno.


FOTOS:Valfredo Neves.


VEJA O ARTIGO COMPLETO DE LUIS BORELLI EM: