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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

FORTE SANTA TECLA - BAGÉ

O Forte Santa Tecla está localizado no município de Bagé no estado do Rio Grande do Sul. 
Não foi difícil encontrar a localização do forte, na BR 293 há placas indicando a entrada para estrada de terra, depois o melhor é ir perguntando, pois há algumas casas durante o caminho, mas a localização do forte fica a aproximadamente 2 .200m da BR (asfalto), para ser mais exato do trevo (rótula) da entrada da cidade, você entra na estrada de terra contrária a entrada do pórtico.
Porém o decepcionante é que não existe mais o forte, pois quando se ouve falar, se imagina imensas muralhas, mas não, há só vestígios do que nos narra a história. O atual terreno do forte pertence a Prefeitura Municipal de Bagé. No local há um marco, onde nota-se a ausência de duas placas que provavelmente foram roubadas e vendidas por peso pelo valor do metal.

Localização do Forte Santa Tecla - Bagé - RS / Brasil.

Também havia uma placa turística com informações históricas, bastante danificada pela ação de vândalos...

A placa trazia o seguinte texto informativo:

Segundo o historiador João Antônio Circe, a fundação do Forte Santa Tecla ocorreu por volta do ano de 1773, sob o comando do vice rei de Buenos Aires, Gal. D. Juan Jose Vertiz y Salcedo. A coxilha que abrigou o forte ficava entre as nascentes do Rio Negro, Camaquã, Jaguarão e Ibicuí. Sua localização estratégica deve-se ao fato de ver o Uruguai a "olho nu". Em seu ponto mais alto, estava o baluarte San Agustín. Nos outros pontos, denominados San Miguel, San Juan Bautista, San Jorge e, a 5ª ponta do pentágono, à beira da ribanceira, San Francisco. Comenta-se que era possível de cada um deles, ver um ponto diferente das fronteiras, tendo assim, uma visão geral de toda a região.
Neste período, a região era ocupada, somente por índios charruas e índios missioneiros. Sua construção tem a assinatura do Eng.º Bernardo Lecoq, sendo que o Forte Santa Tecla, caracterizava-se por sua forma pentagonal irregular, sua fundações de pedra e cimento, suas paredes levantadas em leivas de barro socado e construções de pau-a-pique. Em 26 de março de 1776, as tropas portuguesas do comandante português Rafael Pinto Bandeira derrotaram as tropas espanholas instaladas no forte, depois de vinte e sete dias de batalhas sangrentas. Por esse feito, Rafael Pinto Bandeira ficou conhecido como o "maior espada brasileira do século XVIII". Um ano depois, em 1777, quando da assinatura do Tratado de Santo Idelfonso entre as coroas portuguesa e espanhola, o Forte Santa Tecla, foi devolvido as forças castelhanas novamente. Somente no ano de 1801, após muitas quarelas belicosas entre castelhanos e portugueses em solo gaúcho, que Domingos José Gonçalves, conhecido como "Porta Estandarte", tomou novamente as terras bageenses e o Forte Santa Tecla para coroa lusitana.

Imagem da localização do forte.


FORTE SANTA TECLA: DESTRUÍDO PELAS GUERRAS, DESGASTADO PELO TEMPO, SAQUEADO PELOS VÂNDALOS!!!!!!!!!!!!!!!!


TEXTO: Valfredo Neves.
Em negrito, itálico: placa turística da Prefeitura Municipal.


FOTO: Valfredo Neves.
Imagem do satélite: Google Earth.



PARA RELATOS HISTÓRICOS MAIS COMPLETOS, IMAGENS E GRÁFICOS DO FORTE ACESSE:
http://www.noticianahora.com.br/Brasil/noticia/forte-de-santa-tecla-bage-rs-por-hiram-reis-e-silva/91704#.VqeDeporLIU

http://fortalezas.org/?ct=fortaleza&id_fortaleza=387

http://www.3rcmec.eb.mil.br/historico.htm

https://www.youtube.com/watch?v=J81o8uyMjKk

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

FORTALEZA DE SANTA TERESA

A Fortaleza de Santa Teresa é tão fascinante quanto o Forte de San Miguel, porém com maiores proporções quando nos referimos aos seus respectivos tamanhos, para se ter uma idéia o perímetro das muralhas do Forte de San Miguel totalizam 300m, enquanto os da Fortaleza de Santa Teresa totalizam 642m e apresenta um baluarte a mais que no total somam cinco.
A Fortaleza de Santa Teresa está localizada no Departamento de Rocha - Uruguai, a aproximadamente 30Km da cidade de Chuy, está cituada dentro do Parque Nacional de Santa Teresa, este criado pra protegê-la (teremos em breve uma postagem exclusiva sobre o Parque Nacional de Santa Teresa). Uma das entradas para o parque, eu diría a principal para quem vai à "fortaleza", fica no Km 306 da "Ruta 9", o parque e também a fortaleza são administrados pelo Exército Nacional do Uruguai, por esse motivo logo na entrada do parque paramos em uma barreira e fomos identificados por um militar que nos fez algumas perguntas e nós reciprocamente o fizemos outras, tudo certo seguimos e após umas centenas de metros avistamos a "Grande Fortaleza", majestosa, imponente. Pela sua beleza já não nos surpreendia mais, já esperávamos, depois de termos uma noção do que encontramos em "San Miguel", após tudo parecia ser, os lugares, as paísagens, enfim, tudo, porém a curiosidade aguçava em sua maior porcentagem e as perguntas não paravam de surgir: Quem combateu aqui? Quem invadiu? Por quê? Quando? A quem pertenceu?
Na sequência do texto, agora parte de uma pesquisa que nos mostrará dados históricos da Fortaleza de Santa Teresa, encontraremos essas respostas e descobriremos tantas outras sobre esse lugar extraordinário.
 Por vezes o texto se repetirá ao da postagem do Forte de San Miguel, mas se faz necessário para nossa melhor interpretação, pois as histórias se fundem, por terem acontecido nos mesmos periodos..
As respectivas fontes de pesquisas estarão creditadas no final da postagem.

"Bienvenidos! Fortaleza de Santa Teresa".

A localização da Fortaleza de Santa Teresa integrava a antiga linha raiana denominada "Linha de Castillos Grande" (Tratado de Madrid, 1750) e teve a função de guarnecer o desfiladeiro de Angostura (veremos adiante), vizinho ao "Monte de Castillos Grande", cerca de 20Km ao sul da Lagoa Mirim.

Fortaleza de Santa Teresa - Rocha / Uruguai.

Diante da celebração do Tratado de El Pardo (1761), que, na prática, anulava o de Madrid (1750), o governador e Capitão-general da Capitania do rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade (1733-1763), antecipou as consequências do mesmo para região sul. ordenou assim ao governador da Colônia do Rio Grande de São Pedro, Coronel Elói Madureira, o envio imediato de tropas de Laguna para "Linha de Castillos Grande", determinando o mesmo ao Tenente-coronel Tomás Luis Osório, comandante das tropas de Cavalaria do legendário Regimento dos Dragões e do Forte Jesus, Maria, José do Rio Pardo. Após 12 dias de marcha, por terra, do Rio Pardo ao Chuí o Tenente-coronel atingiu os dominios espanhóis em 10 de setembro de 1762.

Reunindo pouco mais de 1000 homens, a estratégia portuguesa era de construir rapidamente uma linha defensiva fortificada, ao sul do Forte de San Miguel no arroio Chuí, para deter a invasão espanhola em progresso, após a conquista da Colônia do Sacramento (outubro de 1762) pelo governador da Provincía de Buenos aires, D. Pedro de Cevallos, à frente de cerca de 3000 homens reunidos em Maldonado.

Osório fez iniciar às pressas uma fortificação de campanha (dezembro de 1762), guarnecendo-a com cerca de 400 homens e artilhando-a com algumas peças de pequeno calibre. O lugar escolhido foi o desfiladeiro de "Angostura" perto do monte de "Castillos Grande", fechando o caminho terrestre junto ao litoral, de quem vinha da Colônia do Sacramento para a vila do Rio Grande.

Em 19 de abril de 1763, a ofensiva do General espanhol tomou posse do baluarte lusitano. Cevallos tomou a "Fortificação de Santa Teresa" ainda em construção, aprisionando o Tenete-coronel Osório, com pouco mais de 100 homens da guarnição, conduzidos para Maldonado. prosseguindo a marcha para São Pedro do Rio Grande, no mesmo mês tomou o "Forte San Miguel", vizinho ao arroio Chuí.

General D. Pedro de Cevallos.

A Fortaleza de Santa Teresa era um dos pontos que demarcava as duas vias de penetração espanhola: pelo litoral e pela campanha (interior). A via do litoral era demarcada pelo eixo atual: Montevidéo - Maldonado - Fortaleza de Santa Teresa - Arroio Chuí - Taím - Rio Grande - São José do Norte - Estreito - Porto Alegre. Esta via foi usada, efetivamente, pelo General Cevallos para invadir o Rio Grande em 1763, e alcançou até São José do Norte.

A via da campanha (pelo interior) era demarcada pelo eixo atual: Montevidéo - Santa Teresa - Mello (antigo Forte Cerro Largo, em 1801) - Aceguá - Bagé - Torquato Severo - Lavras do Sul - Caçapava do Sul - Encruzilhada do Sul - Rio Pardo. A construção da fortaleza, numa estreita faixa de terra entre o pântano e o mar, tinha por objetivo assegurar o avanço espanhol ao longo destas duas vias.

Portão das Armas - Fortaleza de Santa Teresa - UY.

Após a conquista, os espanhóis reedificaram a "Fortificação de Santa Teresa", como uma fortificação de grande envergadura, dando-lhe maiores proporções uma vez que, devido às suas dimensões, caracteristicas construtivas e localização, foi considerada mais importante do que o Forte de San Miguel. A partir dos projetos do engenheiro Francisco Rodrigues Cardozo e, em seguida, do engenheiro Juan Bartolomé Howel, verdadeiro criador da fortaleza atual, concluída em 1776.

Com o Tratado de Santo Idelfonso (1777), ficou ratificada a posse de ambos os fortes (San Miguel e Santa Teresa) para a Espanha.

A fortaleza apresenta planta poligonal orgânica no formato de um pentágono írregular...


...As condições topográficas provavelmente foram a causa do emprego de uma geometria imperfeita.


Bastiões lanceonados nos vértices (baluartes), no estilo Vauban.


DAS CAMPANHAS CISPLATINAS AOS NOSSOS DIAS.

Em 1808, a Banda Oriental do Rio da Prata foi anexada pelo principe-regente de Portugal, D. João (1808-1816). Ante a proclamação de indepemdência das provincias Unidas do Rio da Prata (7 de julho de 1816), e as agitações dela decorrentes, a Banda Oriental foi ocupada militarmente por uma força portuguesa de 6000 homens sob o comando do General carlos Frederico Lecor, que entrou vitoriosa em Montevidéo (1817). O forte foi atacado pelas forças de Manuel Marques de sousa. A guerra prosseguiu até a derrota definitiva dos partidários da independência na batalha de Tacuarembó, e a Banda Oriental foi anexada ao Brasil em 1821, com o nome de Provincia Cisplatina. Com a proclamação da independência do Brasil (1822), a Cisplatina passou a fazer parte do Império do Brasil.

Fortaleza de Santa Teresa - Rocha / Uruguai.


Suas muralhas duplas em silharia de pedra envolvem um perímetro de 642 metros.


Fortaleza de Santa Teresa - Departamento de Rocha - Uruguai.

A partir de 1825 recomeçaram as lutas pela independência da região, que se arrastaram até 1828. Em 31 de dezembro de 1825 soldados orientais, por ordens do Coronel Leonardo Olivera (em breve no marcador "Grandes Guerreiros"), conseguiram ocupar a Fortaleza de Santa Teresa, dela desalojando a força ocupante. Em 1828, com o auxílio da diplomacia britânica, a região se tornou independente como "República Oriental del Uruguay" (7 de agosto de 1828). Pelo tratado de 15 de maio de 1852, que estabeleceu a demarcação fronteiriça pela embocadura do arroio Chuí, ambos os fortes (San Miguel e Santa Teresa) permaneceram em território uruguaio.

Fortaleza de Santa Teresa.


Sólidas plataformas internamente ao longo das muralhas, serviam tanto para o plano de manobra dos canhões...


... Como para proteção do amplo pátio interno.


Para o deslocamento das peças de artilharia, os diversos planos eram ligados por rampas.


Os cinco baluartes possuem nomes: San Luis, San Martin, etc...


Fortaleza de Santa Teresa - Monumento Histórico do Uruguai.

Durante a chamada "Guerra Grande", em meados do século XIX, aqui se refugiaram as forças de Manuel Oribe, após o que a estrutura permaneceu abandonada, vindo a ser depredada pela população e quase encoberta pela areia trazida pelos ventos. Em 1895 foi recuperada, agora com a função de presídio.

Em seu interior há um dos três marcos dos tratados de limites, assinado em 1750 pelas duas coroas (podemos visualizá-lo em um cercado na esquerda da foto).

No século XX, a partir de 1927, uma comissão constituída pelos arquitetos "Baldomir" e "Capurro", e pelo historiador "Horácio Arredondo", iniciou um grande projeto para a sua recuperação, que compreendeu o reflorestamento da área envolvente para que as areias não voltassem a cobrir o monumento.

A Fortaleza de Santa Teresa recebeu um acabamento mais acurado devido à existência de pedras de granito no local.


Ao redor do terrapleno, ao abrigo das muralhas, estavam distribuidas as edificações.


Fortaleza de Santa Teresa.


Polvorín (paiol).



Pátio interno da fortaleza. Entre os prédios e as muralhas havia espaços reservados aos cavalos.


A fascinante e histórica Fortaleza de Santa Teresa.

A fortaleza encontra-se classificada como "Monumento Histórico do Uruguai". Atualmente bem conservada pelo governo do país, as suas instalações estão abertas à visitação pública, podendo ser apreciadas uma coleção de armaria e maquetes das fortalezas históricas do Uruguai.

Maquete da Fortaleza de Santa Teresa em exposição em um de seus aposentos, bem como a de todas as fortificações históricas do Uruguai.


Em suas instalações um riquíssimo acervo de História Militar, aberta a visitação pública.


Mesa de reunião dos oficiais.

RESUMO DAS OCUPAÇÕES DA FORTALEZA DE SANTA TERESA.

1762 - 1763 = (6 meses) Portugal.
1763 - 1811 = (48 anos) Espanha.
1811 - 1812 = (16 meses) Exércitos Patriotas.
1812 - 1814 = (2 anos) Portugal.
1814 - 1816 = (18 meses) Exércitos Patriotas.
1816 - 1822 = (6 anos) Portugal.
1822 - 1825 = (3 anos) Brasil.
1826 - 1827 = (3 meses)Exércitos Patriotas.
1827 - 1828 = (3 meses) Brasil.
Desde 1828 = República Oriental del Uruguay.

Fortaleza de Santa teresa - Rocha / UY.


Canhão do século XVIII, na Fortaleza de Santa Teresa.


HISTÓRICO DA FORTALEZA DE SANTA TERESA.

1762 - outubro - Os portugueses prevendo uma nova guerra com a Espanha decidem fortificar o ponto chamado "Castillos", acesso à passagem de "La Angostura". O Coronel tomás luis osório comessa as obras que são interrompidas em 1763 pelo avanço do Governador de Buenos Aires D. Pedro de Cevallos que ocupa Santa Teresa e San Miguel.

1763 - As obras são continuadas pelos espanhóis, o traçado é o de um pentágono irregular, com 5 bluartes e seu perímetro é de 642 metros.

1797 - O Corpo Veterano de Blandengues da fronteira de Montevidéo criado em dezembro de 1796, a utiliza com base de operações para cumprir sua missão de manter a segurança e a ordem na região.

1811 - Durante a Revolução Oriental é conquistada pelos patriotas uruguaios, caindo nas mãos dos portugueses quando estes invadem a Banda oriental em auxílio ao sitiado Montevidéo.

1812 - Os patriotas uruguaios voltam a recuperar a fortaleza que é utilizada para controlar a fronteira com Portugal.

1816 / 25 - Ao invadir os portugueses a Província Oriental fica sob o seu domínio.

1825 / 26 - Recupera parte de seu valor estratégico ao iniciar a "Cruzada Libertadora". As topas patriotas comandadas por Coronel Leonardo Olivera tomam esta fortificação na madrugada de 31 de dezembro de 1825. Com a tomada da Guarda de Chuí em 1° de janeiro de 1825 se completa a conquista da área.

1828 - outubro - Assinatura da Convenção Preliminar de Paz, gênesis do Estado Oriental do Uruguai.

1842 / 51 - É utilizada esporadicamente como guarda fronteiriça durante a "Grande Guerra".

1895 - Foi recuperada, agora com a função de presídio.

1923 - 10 de janeiro - cria-se a Primeira Comissão de Restauração que funcionou até 8 de abril de 1924.

1927 - 26 de dezembro - É declarado Monumento Histórico pela lei n°8172.

1928 - A Comissão Honorária de Restauração e Concervação da Fortaleza de Santa Teresa inicia os trabalhos de restauração.

1982 - Museo do sítio histórico, a exposição recria o aspecto de uma fortaleza do século XVIII e a evolução militar da dominação espanhola.

Canhões do século XVIII.


No verão (alta temporada) a Fortaleza de Santa Teresa pode ser visitada diariamente das 10:00 às 19:00, já no inverno é preciso a confirmação dos horários.

Parque Nacional Santa Teresa - Fortaleza de Santa Teresa - Rocha / UY




FORTALEZA DE SANTA TERESA, MONUMENTO HISTÓRICO DO URUGUAI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Coordenadas: 33°58'20.63"S - 53°32'57.96"O


FONTES:
Em negrito / itálico = Wikipédia.org

Em negrito / vermelho = Fortalezas.org
                                         http://www.fortalezasmuiltimidia.com.br/


Introdução e legendas das fotos = Valfredo Neves.

FOTOS: Valfredo Neves.

  




domingo, 18 de setembro de 2011

FORTE DE SAN MIGUEL

Por vezes me acho um tanto repetitivo quando me refiro a determinados lugares como "FANTÁSTICOS", porém depois de termos visitado o "Forte de San Miguel" e a "Fortaleza de Santa Teresa", não consegui encaixar nenhum outro adjetivo menos expressivo do que o repetido "fantástico", talvez quem sabe um "Extraordinário" ou ainda muitos outros do mesmo nível, mas nada menor. Isso tudo é claro, para nós e para os muitos que acham o assunto interessante, vou tentar mostrar com fotografias um pouco do que vimos, mas nada se compara ao poder incrível da imaginação que estimulada se transforma em uma "máquina do tempo" dos que pessoalmente tem a oportunidade de estarem em lugares como estes. Primeiramente falaremos sobre o "Forte de San Miguel", menor, mas não menos encantador que a "Fortaleza de Santa Teresa", muitas vezes citada, mas a veremos com mais exclusividade na próxima postagem desse mesmo marcador.
Os dados a seguir foram coletados em uma pesquisa que realizei visando poder passar mais informações históricas aos leitores que poderão ter uma melhor interpretação fazendo uma fusão texto-fotos.

O "Forte de San Miguel" está situado em território uruguaio, no Departamento de Rocha a aproximadamente 7 Km da cidade de Chuy que faz fronteira com a cidade brasileira de mesmo nome (Chuí).

O acesso a área do forte está indicado com placas na rodovia.


Placa que mostra a entrada da região do Forte de San Miguel.

A construção das fortificações de "San Miguel" e "Santa Teresa" é consequência direta dos conflitos de limites territoriais entre Portugal e Espanha, que comessou no século XVI com a colonização portuguesa na América do Sul. Esse conflito tornou-se intenso na "Banda Oriental" (hoje Uruguai) no final do século XVII, quando os lusitanos estabeleceram-se na praça forte de Colônia do Sacramento e mais tarde no século XVIII, em 1723, quando fortificaram a baía de Montevidéo.

A primeira estrutura de "San Miguel" remonta a uma simples fortificação de campanha, erguida em 1734 por forças espanholas sob o comando de "Alferes Esteban del Castillo", com a função de dissuadir a presença portuguesa na região. Esta primitiva estrutura empregava "tepes" - pedaços de terra cobertos de grama ou ervas, endurecidos pela grande quantidade de enraizamentos. Com o estabelecimento do cerco espanhol à Colônia do Sacramento (1737), essa fortificação de campanha foi abandonada.

Registro Histórico...


...Agora mais aproximado.

Posteriormente foram realizadas obras para um segundo estabelecimento no local, por forças portuguêsas, o fracasso lusitano de fortificar Montevidéo não empediram no entanto, de tentarem novos povoamentos,  foi atribuída a sua reconstrução ao engenheiro militar "Brigadeiro José da Silva Paes" no final de 1737, com a função de posto avançado para monitorar as atividades espanholas na região da serra de San Miguel.

O forte localiza-se no sopé da serra de San Miguel a 35m acima do nível do mar.
Região do sopé da serra de San Miguel cercada por grandes pedras.

Sua planta apresentava o formato de um polígono retangular em alvenaria de pedra, com dois baluartes nos lados menores, separados por cortinas (outros autores atribuem a autoria da planta ao arquiteto militar português "Manuel Gomes Pereira", substituído mais tarde pelo "Capitão Antônio Teixeira Carvalho").

Por volta de 1740, a sua planta já evoluíra, apresentando o formato estrelado, com 4 baluartes pentagonais nos vértices, ajustando-se assim em grande parte o que impuserá as regras da Escola de Fortificações dessa época denominada abaulardada e que havia sido imposta no século XVII pelo "Marechau Vauban", com muralhas e as edificações internas de serviço erguidas em aparelho irregular de alvenaria de pedra.

Para se ter uma noção geral, maquete do Forte de San Miguel em exibição na Fortaleza de Santa Teresa, bem como a maquete de todas as fortificações antigas no Uruguai.


"Fuerte de San Miguel".


Forte de "San Miguel" - Departamento de Rocha / Uruguai.


Forte de "San Miguel" - Rocha - UY.


"Fuerte de San Miguel - Uruguay".

De menores proporções que a vizinha "Fortaleza de Santa Teresa" na região, recebeu um acabamento menos acurado devido à inexistência de pedras de granito no local, sendo empregada uma pedra granítica rosada que o caracteriza, em aparelho irregular. Portanto o material utilizado no Forte San Miguel foi pedra acunhada o que o faz menos resistente que a da Fortaleza de Santa Teresa que é de pedra "sijería".

Pedra granítica rosada (acunhada).

Dadas as suas reduzidas dimensões, não foi possível construir rampas que unissem os planos superiores dos baluartes, onde se abrem 18 canhoneiras no local, e o do terrapleno. Em consequência, acredita-se que a artilharia tenha sido transportada por força humana pelas escadarias, para as respectivas posições de tiro.

Apresenta planta no formato retangular, com baluartes pentagonais nos vértices, arrematados por guaritas.



Escadaria no interior do forte que dá acesso a um dos baluartes.


Baluarte frontal esquerdo.


Baluarte no Forte de San Miguel.


Fuerte de San Miguel - Uruguay.


Fortificação de San Miguel - Rocha / UY.


Os baluartes eram arrematados por guaritas que serviam para vigilância de cada setor e também para correção das respectivas posições de tiro quando em combate.


Muralhas do San Miguel.


O perímetro de suas muralhas totalizam 300m.


O parque que circunda o Forte possui vegetação "autóctona".

O acesso ao forte era feito por uma ponte levadiça, sobre um fosso inundado. No terrapleno, no lado fronteiro à estrada, ergue-se o edifícil da Capela. À direita, distribuem-se os edificios da Cozinha e o Quartel da Tropa (Alojamento). No lado oposto, ficavam o Poço e os edificios da Casa de Pólvora (Paiol), do Quartel do Comando e do Quartel dos Oficiais, protegidos pelas muralhas, cobertos por telhas em meia água. Toda construção militar dessa época contava com uma Capela.

Na segunda metade do século XVIII a obra perde importância e no momento da construção da Fortaleza de Santa Tereza encontrava-se em ruínas.


Acesso ao interior do forte, ponte levadiça.


Corpo da guarda. Portão das armas visto pelo lado interno.


Da esquerda para direita: Alojamento do Capelão, alojamento do comando e o predio da direita da foto é o alojamento dos oficiais.


Cozinha do forte.


Cozinha.


Alojamento da tropa.


Na esquerda alojamento da tropa, a escadaria sobe para o baluarte frontal esquerdo, ao centro o corpo da guarda e bem na direita o alojamento do Capelão.


Poço.


Profundidade de 7m.

Polvorín (paiol), sala carente de janelas, com um sistema especial de ventilação, concistente em dutos. Desta maneira era possivel manter a pólvora nas condições necessárias para o seu uso.

Paiol, a frente o poço e a escada dá acesso a mais um baluarte, agora guarnecendo a retaguarda do forte.



Forte de San Miguel - "Fantástico".

O forte teve a função de vigiar a antiga linha raiana denominada como "Linha de Castillo Grande", estabelecida pelo tratado de Madrid de 1750. Essa linha de fortificações, teóricamente, deveria separar as terras de Portugal e Espanha. Por isso foram disputados (San Miguel e Santa Teresa) várias vezes, estando hora em poder de um lado, hora de outro.

O Artigo XVIII do tratado de Madrid (1750), dispunha que Portugal conservava a linha do monte de Castillo Grande, com a sua falda meridional (Sul), e o poderá fortificar mantendo alí uma guarda. Diante da assinatura do Tratado de El Pardo (1761), que, na prática, anulava o de Madrid, o governador e Capitão-general da capitania do Rio de Janeiro, "Gomes Freire de Andrade" (1733-1763), antecipou as consequências do mesmo pra região sul, que conhecia bem. Ordenou assim ao governador da Colônia do Rio Grande de São Pedro, "Coronel Elói Madureira", o envio imediato de tropas de Laguna para Região, determinando o mesmo ao "Tenete-coronel Tomás Luis Osório", comandante das tropas de Cavalaria do Regimento dos Dragões e do Forte Jesus, Maria, José do Rio Pardo.

Reunindo pouco mais de 1000 homens, a estratégia portuguesa era a de construir rapidamente uma linha defensiva fortificada, ao sul do Forte de San Miguel no arroio Chuí, para deter a invasão espanhola em progresso, após a conquista da Colônia do Sacramento (outubro de 1762) pelo governador de Buenos Aires, "D. Pedro de Ceballos", à frente de cerca de 3000 homens reunidos em Maldonado. Dada a premência de tempo, apenas foi iniciado o forte de Santa Teresa (dezembro de 1762), uma fortificação de campanha guarnecida por cerca de 400 homens e artilhada com algumas peças de pequeno calibre, fechando o camiho terrestre na altura de "Castillo Grande", conquistado por "Ceballos" em abril de 1763.

Prosseguindo a marcha sobre o Rio Grande de São Pedro, "Ceballos" conquistou em seguida o Forte de San Miguel (abril de 1763). Na ocasião, os espanhóis procederam-lhe reparos e melhorias. Mais tarde, ante a iminência de uma invasão britânica em 1775, o engenheiro extraordinário "D. Bernardo Lecocq", a serviço do Vice-reino do Prata, efetuou obras de reforço na estrutura do forte.

Com o tratado de Santo Idelfonso (1777), a posse deste forte ficou ratificada para Espanha. Novos reparaos foram efetuados pelas mesmas razões de 1775, em 1797. Em 1808, a Banda Oriental do rio da Prata foi anexada pelo principe-regente de Portugal, "D. João VI" (1808-1816). Com a proclamação de independência das Provincias Unidas do Rio da Prata (7 de julho de 1816), e as agitações dela decorrentes, a Banda Oriental foi ocupada militarmente por uma força portuguesa de 6000 homens sob o comando do "General Carlos Frederico Lecor", que entrou vitorioso em Montevidéo (1817). A luta prosseguiu até a derrota definitiva dos partidários da independência na batalha de Tacuarembó, e a Banda Oriental foi anexada ao Brasil em 1821, com o nome de Provincia Cisplatina.

A partir de 1825 recomeçaram as lutas pela independência da região, que se arrastaram até 1828. Nesse ano, com o auxílio da diplomacia britânica, a região se tornou independente como República Oriental del Uruguay (7 de agosto de 1828). Pelo Tratado de 15 de maio de 1852, que estabeleceu a demarcação fronteiriça pela embocadura do arroio Chuí, ambos os forte (San Miguel e Santa Teresa) permanecem em território uruguaio.


Marco divisório Brasil X Uruguay próximo ao Forte de San Miguel.


Brasil - Uruguay.

Em ruínas desde a guerra da independência do Uruguai (1825-1828), a história e a estrutura do forte foram resgatadas por uma comissão composta pelo "General Arquiteto Alfredo Baldomir", pelo "Historiador  Horacio Arredondo" e pelo "Arquiteto Francisco Capurro", que foi substituído posteriormente pelo "General Arquiteto Alfredo R. Campos" a partir de 1928, centenário da independência do Uruguai. A partir de 1933 o forte foi reconstruído de acordo com os planos originais, utilizando-se as técnicas de cantaria e de construção da época, restaurando-se as dependências da Casa do Comando, a casa da palamenta, a Capela, a Cozinha e os alojamentos. O forte foi declarado como Monumento Nacional (uruguaio) em 1937, intensificando-se, a partir de então, o seu processo de recuperação.

Placa fixada na parede do corpo da guarda, onde hoje funciona uma lojinha onde são vendidas lembranças e  livros históricos, todos relativos ao Forte de San Miguel.


Forte de San Miguel - Monumento Nacional do Uruguay.


Portão das Armas.


Forte de San Miguel -Rocha / UY.


Canhões do século XVIII.


"Fuerte San Miguel".


Sob a administração do Estado Maior do Exército da República Oriental do Uruguai, a estrutura encontra-se permanentemente aberta a visitação pública, abrigando um Museo de História Militar, onde se destacam a coleção de uniformes históricos das guarnições mostrando a sua evolução, também como utensílios, armas, prêmios e condecorações militares e também distintivos de graduações militares. Uma série de aquarelas do artista Emílio Regalía ilustra o material em exibição.


Bienvenidos al Fuerte San Miguel.


Forte San Miguel.


...Museo de História Militar, onde seria antigamente as dependências do alojamento da tropa...


Os vários tipos (calibres) de munições para os canhões, exibidas no Polvorín (Paiol).

Junto ao forte encontra-se o "Parador San Miguel", que permite a hospedagem nesse sítio histórico.
Também próximo ao forte encontra-se o "Museo Crioulo" que mostra a evolução do transporte rural, e o "Museo Indígena".


LA GUARDIA PERDIDA

Também na região do forte percorremos "El Sendero de la Guardia Perdida" (A trilha da Guarda Perdida).
Antiga guarda avançada do forte, que leva com ela o mistério de uma guarnição de homens que desapareceram sem deixar rastros nos distantes dias de luta entre hispânicos e lusitanos.

Guardia Perdida.

Ao final da trilha encontramos uma formação natural usada como guarda avançada, a qual resultava em grande perigo para o guarda durante a noite por conta de ataques de felinos famintos.



FORTE DE SAN MIGUEL, UMA VIAGEM AO TEMPO DA COLONIZAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




COORDENADAS:   33°41'21.78" S - 53°32'19.78" O

TEXTO:
Introdução, legendas e "Guardia Perdida": Valfredo Neves.

Texto em Negrito / Itálico, fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Fuerte_de_San_Miguel
Bibliografia - Souza, Augusto Fausto de. Fortificações no Brasil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.

Texto em vermelho / Negrito, fonte - Comando Geral do Exército (Uruguai) - Estado Maior do Exército (Uruguai) - Departamento Estudos Históricos.


FOTOS: Valfredo Neves.